A cirurgia reconstrutiva que se dedica ao contorno dos doentes (ex: obesos), submetidos a cirurgia pós bariátrica não se rege segundo os mesmos princípios que a clássica cirurgia estética de contorno corporal.

Apesar da perda de peso significativa (20kg, 30 kg ou mais) muitos destes doentes ainda permanecem nos patamares da obesidade e deste percurso resultam comorbilidades que não podem ser ignoradas ou esquecidas e que, muito influenciam o curso normal do tratamento.


É certo que a qualidade de vida e estes problemas médicos melhoram significativamente depois da perda pronunciada de peso, mas também é certo que novos problemas, designadamente de índole psicológica e auto estima se iniciam. Estes novos problemas decorrem do excesso de tecido que sobra depois do “conteúdo” ter desaparecido. E as alterações na morfologia corporal são dramáticas.


O excesso de pele está na origem de vários problemas: ulcerações e infeções nas pregas, odor desagradável devido à humidade que acaba por estar sempre presente, limitações no exercício físico (não pelo excesso de volume, mas pela incapacidade de conter “as peles” dentro da indumentária), implicações profundas na intimidade e grande dificuldade na escolha do vestuário. Outro aspeto menos abordado mas que é crucial para estes doentes é a idade aparente não ser coincidente com a real. Estes doentes apresentam um ar mais envelhecido, com queda da pele da face, sobretudo nas pálpebras,  “bochechas” e pescoço.


O excesso de pele torna-se assim uma nova forma de estigmatização, isolamento social e redução da qualidade de vida destes doentes.


A abordagem deste tipo de doentes é muito diferente daquela que é empregue num candidato a cirurgia estética. É preciso reconhecer que estes doentes têm muito mais patologia associada que um doente que nunca foi um “ex-obeso” com antecedentes de procedimentos cirúrgicos bariátricos restritivos. As carências nutricionais são outras, a capacidade de resposta ao stress cirúrgico é diferente e a resposta cicatricial é muitas vezes mais lenta. O tabaco está proibidíssimo, pois se num doente “normal” já é prejudicial, nestes doentes, o tabagismo pode arruinar um resultado cirúrgico.


Os procedimentos são os habituais da cirurgia reconstrutiva plástica (contorno abdominal, reconstrução mamária, contorno dos membros), mas adaptados a cada caso em particular. Os resultados são, em regra, muito bons tendo em conta o ponto de partida, sendo espantoso o impacto na qualidade de vida destes doentes.